Tá, eu precisava fazer esse post. Não tinha um gancho, mas o Rafael mandou um e agora eu posso falar toda a borracha acadêmica que brotou na minha cabeça. Tudo começa ontem de madrugada, quando o jornal da Globo passou essa matéria:

Foi instantâneo: mal a reportagem acabou e o Twitter estava explodindo em #mimimi. Basicamente a galera ficou puta da cara porque a Twitess foi mostrada como “formadora de opinião” e como se a fama dela tivesse vindo porque ela posta coisas interessantes. Na verdade, como todo twitteiro antenado sabe, a moçoila usou um script para dar follow em milhares de pessoas (que retribuíram pro livre e espontânea lerdeza) e, só por isso, se tornou o fenômeno @twitess. Bem ou mal, o Jornal da Globo teve uma falha de apuração quando desconsiderou isso.

Um ano atrás, isso passaria em branco e, no máximo, apareceria na sessão “Cartas” de algum jornal por aí. Ontem, só por causa do Twitter, o #fifitififiti gerou um buzz geral, com chances de ir pro Trending Topics (talvez tenha ido, eu fui dormir cedo). Era a galera expressando a indignação em tempo real! CERTEZA que a Globo viu isso e, ainda que não se retrate, vai tomar cuidado nas próximas matérias. Até porque o fenômeno não se restringiu ao Twitter. Hoje de manhã já tinha coisa assim espalhada pela web:

Alguém podia pesquisar o caso, por favor? Pra quem estuda recepção jornalística, isso é quase uma tese dada de presente. Se antes os mecanismos de feedback eram demorados e quantitativos (pesquisa de audiência e IBOPE), agora eles são instantâneos e qualitativos (as pessoas expressam opinião, discutem polêmicas e se posicionam quanto ao que está sendo transmitido). O receptor passivo, coisa que já não estava lá muito na moda, agora assume quase que um papel de privilégio sobre a mídia de massa, que, ao desconsiderar as propriedades de seu próprio público, perde a credibilidade para com ele. Genial!

Tá, parei. Mas que dava um artigo, isso dava…

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