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A nova mania internacional tem nome curto e simples: Glee. Não adianta, Ryan Murphy parece ser tipo um Midas da ficção seriada. Tipos que o cara que criou algo tão pesado (e bom) como Nip/Tuck resolve fazer uma comédia adolescente (high school mesmo) com um monte de freaks que cantam. E o resultado é a melhor coisa que o prime time já viu desde… sei lá. Muito tempo.

Uma vez um amigo que mora em Tokyo me contou que no Japão eles não tem medo do ridículo. Uma vez, numa reunião de criação de um game, os diretores executivos deram de cara com uma pesquisa que dizia que o público-alvo gostava de coisas fofinhas, ou, como chamam os japas, kawaii. Acontece que o projeto era de um jogo de plataforma que tivesse violência, tipo um Sonic com bazucas. Não pensaram duas vezes: “vamos fazer um game com um coelhinho que tem uma bazuca!”. A mente pervertida dos criadores de Glee vai pelo mesmo caminho. Afinal, High School Musical e Hannah Montana são fenômenos da cultura pop. Então bora fazer série musical de high school. Mas cinco temporadas de Nip/Tuck ensinaram que um bom drama, com doses excessivas de criatividade, pega o púiblico em cheio. Então ele mistura um cadeirante, um nerd-freak-indie-gay-contra-tenor, uma louca obsessiva, uma lésbica japonesa, uma negra gordinha, o jogador de futebol gostosão e um professor de espanhol que quer fazer dessas pessoas o coral da escola. Mais do que isso, ele quer que o coral seja um sucesso. Cada um desses esquisitos, é claro, com seus dramas pessoais. Isso é Glee.

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Se dá certo? O tempo vai dizer, já que a série ainda está no terceiro episódio. Mas que eu arrumei um novo vício, isso eu arrumei. Não dá pra não gostar da câmera inquieta, quase na mão (que a gente já conhecia lá de Nip/Tuck) nas cenas de drama e que, do nada, vão pra cima de gruas nos números musicais. Não dá pra fingir que a série não é a coisa mais gay desde a invenção da purpurina. Não dá pra não se apaixonar pelos personagens que são esquisitos o bastante pra serem reais. Não dá pra não adorar as desculpas do roteiro pra enfiar números musicais no meio da trama. Afinal, tem como ficar indiferente a uma coisa dessas aqui passando na TV?

Isso explica o porque da série ter ido parar no Trending Topics do Twitter semana passada. Também explica o fato de a comunidade brasileira da série no Orkut já ter mais de 40 mil membros quando o programa não tem nem um mês de exibição contínua (o piloto foi ao ar em maio, meses depois veio o segundo episódio e essa semana passou o terceiro). Glee é a prova de que a era dos musicais não acabou. Foi, isso sim, interrompida pela machonaria cinematográfica que tirou de Hollywood o que ela sabia fazer de melhor: glitter. E aí Judy Garland foi substituída por Stallone e Van Dame e de repente a gente tem que se contentar com Transformers quando Mary Poppins, por mais que fosse pipoca igual, deixaria o público muito mais feliz.

Mas quem disse que não há uma luz no fim do túnel? Nem que seja pela TV, as comportas estão explodindo e o mundo bebendo sedento dessa maré queer da qual Glee, espero, será apenas o começo.

Update: Se te faltou incentivo pra assistir, aqui vai mais um:

Glee3Sim, é um piercing…

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