Primeiro Ato – Em que o problema se apresenta

Partida: Itajubá – MG

Destino: Juiz de Fora-MG

Objetivo: Participar da formatura de amigos.

Trajeto: Não há linhas de ônibus diretas Itajubá-Juiz de Fora. Opção escolhida: conexão em Taubaté, onde mora o Sr. Mostarda, namorado da minha mãe, D. Violeta.

Chances de erro: 0,8%

(Tarde ensolarada, céu azul. Dentro do ônibus pra Taubaté, 18:30, celular toca)

EU: Alô

SR. MOSTARDA: Oi, aconteceu um problema…. Fui comprar sua passagem mais cedo, e elas já estão esgotadas.

EU: Como assim? (pensativo… “O que diabos esse povo vai fazer em JF numa quarta-feira?”)

M: Não sei, acabou. Mas tudo bem, você vai ficar aqui em casa até amanhã, quando sai o próximo ônibus. O ônibus em que você está não pára na rodoviaria. Mas se você pedir, o motorista te deixará num ponto de ônibus na Dutra, próximo a um posto policial. Vou te buscar lá, ok?

EU: Ok.

M: Onde você está?

EU: Aparecida, devo chegar em uns vinte minutos.

M: Sem problemas

(Desliga o celular. Logo em seguida, som de mensagem: “Filhinho, qdo puder liga p mamae. Deu zebra. rsrs. Bjo”)

EU: Mãe, por que você não pediu pra comprar as passagens ONTEM? Eu vou perder a colação de grau! (furioso)

D. VIOLETA: Oras, isso era problema seu. E além do mais, morro de inveja que você vai ficar na casa do Mostarda e eu não…

EU: Te ligo de lá.

(O céu se fecha. Nuvens de tempestade, que despenca em seguida).

cogu

Segundo Ato: Em que o problema se desenrola

Descer no meio da Via Dutra em dia de chuva é uma experiência pela qual todo mundo devia passar. Serião. Quando você começa a se preocupar se as malas não vão se encharcar – porque você já está em sopa – descobre o quão materialista as pessoas se tornam nessas horas. Mas por que se preocupar? Agora eu estava a uma ligação de distância da minha carona, de uma casa, comida, tempo pra aliviar a raiva…. Só que o celular não funciona. O sujo pelo mal lavado (ou seria encharcado?) atravessei pelo canteiro mesmo, na lama, até o orelhão mais próximo. Quase fui atropleado pelo Sr. Mostarda: “Quer carona?”

Vejam bem que problema é que nem piranha, anda sempre em bando. Foi eu entrar no carro e quem disse que ele dava a partida? Resolveu enguiçar. Do nada. Sr. Mostarda com virose, querendo aliviar os intestinos, chuva que Deus dava (do jeito que o diabo gosta) e o carro parado na beira da Dutra. Ok, eu resolvi mexer na chave e o carro pegou. Vai ver a sorte resolveu me ajudar. Será?

Cheguei na casa do Sr. Mostarda por volta das 20h. Vamos postar? “O Windows não consegue localizar nenhuma rede sem-fio ou conexão com a Internet”. Ótimo. Eu ficaria lá mais 24h. Quase 12 delas foram jogando Spore.

Passagem comprada pra hoje, ônibus saía as 20:55h. Inúmeros percalços (comida que atrasa, parentes que discutem…) mas conseguimos sair de casa as 20:30h. Daria tempo de chegar à rodoviária. Mas é claro que o trânsito resolveu parar num ponto imporvável. Gritaria. “Parabéns Camila”. Explosões. O trânsito, leitor, estava parado por causa disso

cora

Isso parece uma coisa obscena, mas é um coração!! Ou melhor, uma pessoa vestida de coração! Com um carro de som! Que parou o trânsito para fazer uma homenagem pra Camila! O máximo que pude fazer, antes de mandar tudo a merda e quase passar por cima de todo mundo, foi tirar essa foto com o celular.

Em cima da hora, mas consegui embarcar! É claro que na primeira parada subiu um cara com uma lata de cerveja e sentou DO MEU LADO. Meu, gente que entra em ônibus bebendo é que nem caxumba: descuidou, vai tudo pro saco. Pois eu descuidei. Cochilei por dois segundos e acordei com três pessoas discutindo com o ser embriagado, que tinha resolvido viajar em pé. Foi demais pra mim. Aproveitei que ele estava de pé, joguei as pernas em cima do banco dele e vim dormindo atravessado até Juiz de Fora. Ele que se fodesse. Se ele viajou no banheiro ou no compartimento de bagagens já não é meu problema. Eu tenho um baile mais tarde.

cogu

Terceiro Ato: Catarse

Quem leu a Arte Poética, do Aristóteles, sabe que pra ele o fim maior da obra de arte (no caso, tragédia e comédia) é a catarse de quem a aprecia. Pra quem não leu, a sabedoria popular ensinou que “pimenta no dos outros é refresco”, então você pode rachar o bico de rir da minha cara. Nem ligo. Quem ficou sem post foi você. E eu tenho um baile hoje a noite que, espero, será a minha catarse. Afinal, tá na moda o artista participar da obra de arte. E os posts voltam ao normal daqui pra frente, se o teto não cair na minha cabeça…

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